Escrever p'ra saciar a alma
Poesias
sábado, fevereiro 16, 2013
Descobrindo o modo...
Tudo que me possui,
É o sentimentalismo próprio de mim mesmo.
Não sei qual a verdade,
Não sei também qual o exórdio prematuro.
Talvez seja laço em punho,
Talvez seja destino aprazado.
Em tempos infantes,
De infantis corações descobridores,
No espaço da letra grega,
A oitava de uma série de séries,
Sericanente comportadas,
Em serena sobriedade.
A fuga do cotidiano nos corações,
Sempre cheia das gentes,
Gente branca, preta, azul...
Pouco importam as cores.
O sossego da infância consumiu-se,
Ao descobrir o amor.
quinta-feira, junho 09, 2011
Sabe aquela flor?
De tudo isso,
Ficou um pouco.
Esta invenção,
Que brota absoluta,
O amor que procurava.
Não achei, seja verdade!
Me calo.
E confesso.
E não me reprimo.
No mundo, em geral,
Quem engole, nunca pode dizer.
Então grite, em vozes agudas,
Em vozes românticas.
Ou então sussurre,
Ao pé do ouvido,
Até que antes, não aguente mais.
Então, até que não suporte,
Grite, em vozes esféricas-encarnadas,
Assim como é a cor dos esmaltes que [às vezes tu se pintas.
Este vago vestígio,
Este vago indício,
Diz tudo.
E grite e exploda,
E antes que perca tua essência,
Se aglutina no coração.
E grite suave,
Assim como somente teus ouvidos [possam pronunciar.
Aquelas ondas sonoras,
E tão belas notas musicais,
Do amor,
Do grande amor,
Em tua única e implícita forma,
Sem gritar,
Sem dizer mais nada.
Apenas existindo,
Incontrolável e sorridente,
Por entre as minuciosas dobraduras da [vida.
Antes que se finde,
Confirme: isto é amor.
(Rômulo Piloni).
terça-feira, maio 31, 2011
Facilitando
Estes mesmos, que guardas a [inúmeras chaves.
Tal qual uma metáfora sussurrante,
Num grito de emoção,
Assim, sincero,
Aos ouvidos efêmeros convulsionados.
O escafandro cintilante impregnado,
Das cores mais bonitas do momento,
Cuida dos olhos,
Vigia o olhar,
Na amargurada profundeza oceânica.
Que nada!
Livre-se disso,
Destas coisas alheias e inacabadas.
De coração à razão,
Assim será mais fácil conviver,
Na podridão diária do mundo.
quarta-feira, março 23, 2011
Novo
Que o vento consegue arrastar,
São como manchas,
Já quase apagadas das lembranças,
Nas tristes metáforas esquecidas,
De um tempo que dói,
Mas que se foi,
E que talvez,
Nunca mais volte.
(E espero,
de todo meu bom pensar,
que nunca mais volte,
pois tua presença marcada,
não é bem-vinda,
e tua ausência,
mais do que merecida).
E eu que pude escolher,
Para assim, se confirmar,
Que esta é minha nova musa,
Tal qual meus sonhos permitiram-me sonhar.
Não me pergunte!
Ser tolo ou insensato,
Na ambição suprema,
É impregnar-se de esperanças,
Na armadilha amorosa.
Portanto, aproxime-se, sem medo.
Leve de mim,
Um pouco de mim mesmo,
O todo que existe do meu amor.
(Rômulo Piloni).
segunda-feira, março 21, 2011
Está revelado
É um vício austero do amor imprevisto,
Que me submete ao infame ato.
Enquanto teço meus versos,
Teu beijo me desconversa no infinito,
E chega sorrateiro,
Abrindo as emoções devagarinho.
E teus cabelos noturnos,
Bagunçados pela brisa do mar,
Me entrelaçam ao teu perfume inebriante,
Já que esta brisa de outrora,
A embalou como segredo envolto,
Secreto ao desolado homem.
Que em pele fresca e macia,
Permite,
Com que eu refaça meus versos,
Com esforço impresso às jugulares,
Fazendo da distância a proximidade,
No imprevisto confuso das emoções cariocas.
Sabe exatamente o que é amar ao máximo?
Nem eu.
Espere-me (!)
Talvez...
(Rômulo Piloni).
domingo, março 20, 2011
Sem o mais ou o menos
Fortes, fracos,
Tanto faz.
Em qualquer dia,
Que os homens ainda amem.
Em qualquer tempo,
Que os homens ainda digam amém.
O dia,
O 19 de março,
Entrou com o vento do sul,
Pela janela entreaberta.
E eu quis saber,
Se tu virias com ele,
Ou não haveria ninguém.
E neste espaço,
A lua atracada aos céus,
Também se aproximou ainda mais,
Impiedosa e silente.
E com o meu olhar,
Por certo,
Observou o teu.
E ao esperá-lo,
Entre os ventos que enovelaram nossos destinos,
No horizonte oculto dos (também) nossos [suores amorosos e esquecidos por momentos
[inutilmente enegrecidos pela fumaça obscura do entardecer não-mágico.
A velha ampola amorosa se quebrou.
Somente restou, assim,
O meu sonho repousado sobre o teu.
Sem o mais ou o menos.
(Rômulo Piloni).
segunda-feira, novembro 29, 2010
Desenho
Pobre em recursos estilísticos,
Impostos pelo amor.
Desenhe, então,
Um coração flechado,
E assim, tudo há de perseverar.
terça-feira, outubro 26, 2010
Brisa
De frente às ondas da praia,
Que sempre veem me visitar,
Deixei sob a mesa.
Tendo acima, o vaso de flores,
Vazio delas mesmas.
Talvez porque meu inconsciente tenha
[optado,
Talvez porque uma breve brisa marítima,
Tenha importunado teu sossego íntimo.
E se por ventura,
Esta mesma brisa,
Banhasse de esperança,
Meu rosto furtivamente,
E com ela,
Carregasse todo o amor da minha vida,
Para um Reino bem longe.
E este amor transcrito em versos,
Tocasse,
Como a brisa silente de Ipanema,
Teu rosto,
Teu perfeito rosto.
Assim, inesperadamente.
E se deste modo explodisse,
Auto-contido em si mesmo.
Até o dia em que nossos olhares se
[tocassem,
E neste breve momento,
De misterioso encantamento,
Gestado de forma ansiosa,
Por angustiantes noites passadas,
Se perca em uma causa favorável.
Pois o mundo pode não interpretar,
A favor do coração,
Se tudo é tão contrário a si próprio,
O mesmo,
Este mesmo amor.
sexta-feira, outubro 22, 2010
Ironia
Ofereço nesta canção,
De amor, de um grande amor,
À maneira do meu coração.
E que eu seja o último,
O maluco idiota,
Que observa tua janela,
Da fronte de meus desejos.
Até quando terei que olhar?
Teus segredos de tão longe?
O meu sonho sibilante,
Em nossos breves olhares,
Afirmando que as rosas,
Já completaram teu jardim,
Secreto e obscuro.
E não te quero apenas,
Porque ainda te quero.
O meu tempo se arrasta,
Nas dores noturnas diárias,
Que consumirão as luzes,
De todo o fevereiro,
No Rio de Janeiro,
Que me fez conhecer-te,
De modo alucinado.
E naquela hora marcada,
Preciso falar de amor,
De um grande amor,
Colhido em momento encantado,
À maneira do meu coração.
E o medo, aquele medo,
Arrasta penosamente,
Minhas dores cardíacas,
Na quarta bulha constante,
Do meu amor, meu grande amor,
Colhido no momento encantado,
À maneira do meu coração.
E que eu seja o último,
O maluco idiota,
Que observa tua janela,
Da fronte de meus desejos.
Na ironia discreta,
Balançando um perfume,
De cheiro inconfundível.
E confirme na hora certa,
Que não te quero apenas,
Porque ainda te quero.
(Rômulo Piloni).
terça-feira, setembro 28, 2010
Caro Piloni
Que espremo as palavras,
Na razão profunda.
Sou louco.
Sou mágico... romântico.
Sou depravado.
Iluminado pela lua,
A minha carente cara desnuda,
Na farra honesta que me escuta,
Amplia a vontade libertária.
Enquanto o dia começa tarde,
Balanço uma verdade crua,
De minha jovialidade imatura,
Soqueando o novo-ideal.
Mas é atrás d’uns óculos escuros,
Na brevidade do tempo,
Que transito entre o anjo,
E o amante impuro.
Ainda, debruçado em meus versos,
Rabisco letras de uma canção.
Em caminhos de margaridas.
Em carícias da confusão.
O mais simples de tudo,
Sento-me à beira da rua,
Sob a sombra do sol,
Na cor da dor do beijo,
Da calçada Anapolina.
E verso um signo favorável,
Saboreado como finos bombons alados.
Enquanto,
Escorregando em colares imundos,
De amores, desejos e solidão,
Devoro meus medos obscuros,
Nos gracejos sem emoção,
De minha barba renovada.
Saiba, sou cristão-pecado,
De simplicidade arredia e olhar envergonhado.
É na fuga de meus ardentes sorrisos,
Que procuro a existência pura,
Em lisas madeixas padrão.
É na véspera do início,
Que minha boca-poética,
Tentando descrever-se,
Despede-se com carinho,
Meu caro amigo, Piloni.
segunda-feira, novembro 23, 2009
Eu não sei pescar
Oh! Tempo,
Não me corrompas!
Por favor, tende piedade.
Na curva do rio,
A correnteza é mais forte.
Os riscos são maiores,
E a atração também é intensa.
Se queres algo de mim?
Então faça com que eu te escute.
Não teste,
Nunca mais,
A minha paciência.
Se me esforço para o futuro?
A todo grande custo!
Mas o amor já é inverno.
Imposto,
E não pesquisado.
Imposto em vigília completa,
Com poemas incompletos,
À minha e à tua versão.
Versão esta, de quem me lê!
Corre rio!
Corre com todo o teu carinho.
Banha-me o rosto,
Com tuas águas de emoção.
Não quero nada em troca,
Apenas que me permita,
Divagar em tua imensidão.
Pois o inverno já chegou,
E trouxe junto dele,
Poemas incompletos,
E também amores,
Que não sei dizer bem o que são.
(Rômulo Piloni).
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Juramento
Estampado em qualquer face,
As impressões de minha vida.
10 cm de régua,
Marcam o espaço,
De ruas vazias,
De pensamentos medíocres.
Os domadores de elefantes,
Nestas terras ácidas,
De homens ácidos,
E sentimentos indecisos,
Espalham as cartas pessoais.
Ainda tento acreditar,
De forma certa, no amor.
Este organismo profundo,
De sentimentalismo capitalista.
Engraçado,
Repleto de falsos risos.
O Rio de Janeiro continua lindo,
Nos retratos 3x4,
Dos amores miseráveis,
Em melodiosos projetos para a vida.
Não sou poeta.
Não sou ninguém.
Mui menos estimável.
Um dia,
Guardei bonitas palavras,
E decorei o catálogo de bons vinhos,
Para um futuro translúcido.
Para uma mulher,
Que ainda escolherei.
Sob prisma particular,
N’algum tempo,
Continuarei a escrever.
E as palavras que guardei,
Ainda as direi.
(Rômulo Piloni).
terça-feira, agosto 05, 2008
O QUE SERÁ?
O que será? Tecnologia?
Ergo os olhos e deparo-me com um azul impenetrável.
Abaixo os olhos, o que vejo? branco, branco...
Abre-se minha alma para ser contemplada de uma paz, força,
Que se traduz pela consciência da insegurança.
E se fosse esse o momento último?
Como na televisão, passam rápidos todos os momentos que
Poderiam ter sido vividos.
Tristeza? Não! Inconformidade!
Realidade para seguir adiante, caso não seja o momento último?
Talvez!
Mas agora já sinto os pés no chão. Costume? Sim.
Enfim, tudo como antes!
Vida, vontade, vazio.
sábado, julho 12, 2008
Ainda é você (música)
Embrulhado de saudade.
Apenas p`ra te ver sorrindo,
No aconchego de meus sonhos.
Provocando a juventude,
Na armadilha da distância.
Você sabe, lá no fundo,
Que esta nossa pouca idade,
Resultou em desencontro.
Mas se pensa mesmo em mim,
E o amor não me esqueceu,
Escute esta canção.
Ainda não é nosso fim,
Me interessa tudo seu,
Você sempre tem razão.
Esse mundo assim tão grande,
De sentimento pouco astral,
Cabe todo no meu peito.
Quero a vida mais amena,
Quero o gosto de seus lábios,
Imprimidos na minha boca.
Mesmo que eu ainda ande,
No labirinto infernal,
É você que eu ainda quero.
E se pensa mesmo em mim,
E o amor não me esqueceu,
Escute esta canção.
Ainda não é nosso fim,
Me interessa tudo seu,
Você sempre tem razão.
É você mesma que eu quero.
(Rômulo Piloni).
quinta-feira, junho 12, 2008
Narrativa objetiva
Mas dormirei mais tarde.
Parindo não,
Gestando antes,
A tristeza diária minha e tua também.
Um mundo completamente desnudo,
Sem flores,
Sem cores,
Sem um sonho doce-meio-amargo.
Minhas tristes narrativas completas.
Com minha e tua história.
Zombando da lua,
E espreitando meus momentos fracos.
Lamento.
(No sentido profundo de lamentar-se).
Compreendes?
Acho que não!
Ela não compreende.
Ela não pode me compreender.
Se sou sentimental?
Cale-se!
Não posso pensar mais nela.
O dia em que pensar,
Lembrarei o gosto do beijo.
(Rômulo Piloni).
domingo, maio 04, 2008
Ímpeto
Que abriu as janelas de minha vida triste
E entrou como a brisa silente em meu quarto
Transeunte em meu mundo vago
Me acordastes com euforia passiva e sutileza nipônica
Fazendo do teu riso o meu
Bastando o teu silêncio eloqüente
E suspiro lascivo
Para que o dia se tornasse poético
Dei-te o sol e o rio para debruçares teus sorrisos
Em dias de sol ou neblina
Me destes tua presença eterna
Que não passa como o rio e não se vai como o sol
Dei-te o colo quando te achavas triste
Me destes a maturidade espontânea
E criatividade efusiva...
domingo, janeiro 27, 2008
Minhas putas
As putas equilibram o mundo,
Com seus pesos hipotéticos.
Na calada da noite,
Costuram alegrias gozosas.
Enquanto o tempo sofre tropeços,
Nas patas dos cavalos.
E a memória,
Já não tem mais espaço,
No itinerário do regresso.
Este mundo magnífico,
De putas, orgias e instintos,
Nunca o consultei.
O caleidoscópio,
Comprime as rugas,
Das franjas do tempo.
E tu mesma sabes,
Que o amor,
Ah! O amor,
É apenas verdade,
Transitória.
(Rômulo Piloni.)
domingo, dezembro 30, 2007
Claquete número um
Agora,
Negligentemente,
Meu tom de voz,
Numa oitava mais alto.
Enquanto a mente insiste tagarelar.
Não quero balneários terapêuticos,
Ou chás de ervas curativas.
De que careceria?
Descrevo aqui minhas entranhas,
Pois tenho coragem de ter melancolia.
Deixei, de certo modo,
O mundo entrar!
Já que o planeta gira no espaço deslocando ele próprio.
Talvez, meu mundo.
Mesmo que eu seja uma criança,
Me debatendo em um corpo de adulto.
Quando eu crescer,
E ficar mais grande,
Autocontido, como azeite no pote,
Quero ser como pássaro livre,
Que flerta o suicídio.
Acenando para mim mesmo.
Sendo como uma árvore,
Também seria feliz.
(Rômulo Piloni).
quarta-feira, dezembro 19, 2007
Revolução Urgente
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Pouco importa
Sinto as mãos trêmulas
E essa paixão infante
Daquelas que são platônicas
E não se deixam ir adiante
Anos eram vinte
Meses eram doze
Sempre à espera da etapa seguinte
Ou da próxima dose
O jogo de lágrimas
Tantas coisas e um só ser
Escritas tantas páginas
Jogadas sem saber... O porquê...
Eu, filho e funâmbulo
Da vida
Faço e não faço escândalo
Querida
Ai sim
Flores
Pra mim?
Quais cores?
Jasmim?
Os amores
Tem fim?
E tudo acontecia
Era só virar a página
É tarde
Cansado de ler
Sim, mas tens que virar a página
E o prólogo?
Leia
Psicólogo?
Talvez...
Morrer?
Sim, uma só vez
Viver?
Também
Ainda bem
Sim
Tudo tem seu fim
Começo também
Claro!
Ou escuro?
O quê?
O nada...
Claro
E depois?
Pouco importa
(Adriano Donin Neto).
quinta-feira, novembro 15, 2007
Amor inventado
Mesmo fora de moda e a contra gosto e mal visto,
Sou sentimental.
Em alguns momentos,
Exagerado (!)
Noutros...
De considerável leveza.
Mas atravesso os dias,
Com uma carga enorme.
E de parada em parada:
Confiro.
Reafirmo.
E observo se o cadeado está sobreposto.
E neste fluido,
Incontado e adorável,
Meu sentimentalismo de caráter inventado,
Irrompe categorias burguesas.
Pois creio,
Que o amor é perfeito,
No mundo inventado.
(Rômulo Piloni).
quarta-feira, outubro 24, 2007
Angústia
Os homens criam suas tristezas
Elas sempre vencem esta luta psicológica
Invadem o coro do pensamento
Triste sou eu agora
Afundado em mim mesmo
Com estacas de mármore
E silêncio...
A pele é fria
Eriçam meus pêlos mamíferos
Que não me aquecem
O que sinto se reflete em meu espelho
Quebrado por mim mesmo
Movem-se corpos em catracas
Que lentificam a passagem
As vísceras caídas em baixo PH
Os olhos profundos a vagar
Em meu metabolismo lento
E minha falta de amor
Coração na calma compassada
Alma sem calma alguma
Todos esperam o fim
Para que haja um novo começo
E por fim vários outros fins
Às vezes me escondo
Às vezes me entrego demais à vida
Em outras entrego minha vida à poesia
Ou a uma mulher falsa e dissimulada
A comida é insípida
As flores incolores
As palavras sem sentido
Nexo, coerência, coesão...
Estas feridas e cortes
Que fiz quando caí
Em um poço com cacos de mentiras
Que eu não conseguia enxergar
Por serem pequenos e distantes
E eu...míope..
Haverá uma alma triste como a minha?
Com mãos de perdão e peito de acalanto
Gestos feitos em prosa
Traços talhados em poesia
Alma com vontade de sair do cárcere
E unir-se à minha, como mãe ao filho?
Que ela me encontre agora
Ou que a vida sem demora
Me faça compreender a mim mesmo...
(Adriano Donin Neto).
quinta-feira, setembro 20, 2007
Desconfortável
Abri a porta do quarto,
Para a esperança poder entrar.
Brinquei com a palavra,
Fiz poesia.
Ri em sua presença.
E na falta da esperança,
Nova esperança encontrei.
E digo-me a mim,
Na ansiedade prematura,
De uma vulnerável alma febril,
O quanto desesperançoso já fui.
Se ela tem mais esperança,
Muito mais que eu,
Então posso chorar a alegria,
E me entregar ao inconsciente choro.
No tempo influente freudiano,
Desconstruíram minhas ilusões.
E agora minha atitude psíquica,
Corrompe-se de esperança.
Até que a porta bata,
De saída para fora,
Na imensidão do mundo.
(Rômulo Piloni).
quinta-feira, setembro 06, 2007
Mãos

Entre os dedos,
Cheio de anéis ou não.
Cabe a lua,
Cabe o sol.
E cabem os demais planetas.
Cabe também, a praia e a montanha.
Mas nas palmas das mãos,
Cabe o mundo todo.
E tu bem sabes o quão grande ele é (!)
Num par de mãos,
Cabe o que se quiser.
Até o que se está pensando agora.
É como a magia.
Cabe o amor e o sofrimento.
Cabe também, a melancolia.
Cabe a música e a poesia.
E se estou certo,
São as mãos que fazem poesias.
Um par de mãos,
Dá a vida.
Troca as fraldas.
Ensina e alimenta e protege.
Um par de mãos também reza e trabalha.
E no fim,
O mesmo par de mãos,
Palmas,
E inúmeros dedos...
Sepultam o silêncio.
Mas enquanto dá vida,
Um par de mãos,
Afaga as borboletas.
(Rômulo Piloni).
domingo, junho 17, 2007
Reflexão
Num travesseiro(-)concreto.
Conto as borboletas.
E adentro o mundo dos cochichos,
Que somente eu posso ouvir.
(Rômulo Piloni).
sexta-feira, junho 08, 2007
Outra versão
De inúmeros engravatados,
Na tentativa de me dessufocar.
E sair da mira,
Da poesia enlouquecida.
A minha vida propriamente.
Deixei o Parreira,
E adotei somente o Piloni,
No complexo número,
Dos meus enígmas diários.
Cheguei a me perguntar,
Que tenho haver com o roubo do teu barco ?
Neste naufrágio herdado,
Da companhia de tua vida ?
Espere!
Não recolha teu perfume,
No relicário dos solitários.
Socorra os depravados,
Com o sentimentalismo amoroso,
Do teu perfil traçado.
Aliás, traços e mais traços,
Compõem o meu retrato,
Que um dia quis lhe dar.
Agora, não mais choro,
Gotas pegajosas,
De um choro infernal.
Continuo porém, refém,
Da espontânea-orgulhosa-livre-escolha,
A minha vida propriamente.
sábado, maio 19, 2007
Eu não sabia
Já não importa mais.
Não agora,
Neste momento dos dias.
Desde já, proíbo tua fuga,
Entre as vidas brasileiras.
Sem promessas.
Sem acordos.
Vejo, assim,
Utilidades marcadas,
Nas pupilas de meus sonhos.
E resguardo apenas o direito,
De manter em cárcere,
A lembrança tua.
Para que toda vez,
Quando eu desejar,
Eu relembre a minha vida.
E divague...
Lembrança a lembrança,
Dia após dia.
Até que eu me canse,
E a imagem tua,
Faça visitas esporádicas,
Ao eu-único recluso,
Do meu cárcere privado.
sexta-feira, abril 13, 2007
Resignado pelos olhos

Em minhas eróticas lendas,
Vulgarizo sua imagem vistosa,
Na perfeição do vestido de rendas.
O teu andar mágico e aéreo,
No simples balançar do cabelo,
Revela-se a mim, o mistério,
Que guardo a imagem com zelo.
Tuas lágrimas não diluídas,
Na aparência próxima, a morte,
Em campos de margaridas,
Jogada a própria sorte.
Meu pensamento ainda, outrora,
Em solidez, de forma impura,
Somente, hoje e agora,
Vejo-te amor e ternura.
Ó mulher de seio farto,
Teu dissabor em tom grave,
No ventre do leito do parto,
Para a vida tens a chave.
Preservo teus erros, mui pouco,
Caminhe agora comigo.
Na fascinação do homem louco,
Em teu colo encontro o abrigo.
Perdoe-me a postura apagada,
Partindo desde já do extremo,
Tu, mulher pouco amada,
Templo do meu Deus supremo.
sábado, março 17, 2007
Às seis horas da tarde

As matriarcas donas de casa,
Nos seus tempos cotidianos.
Expostas aos seus afazeres.
Expostas às suas curiosidades.
É tempo de rever as fotografias!
E me pergunto sozinho.
Qual delas se suicidará,
Às seis horas, no fim da tarde.
Às vezes, me entrego pensando,
Nas fecundas madres angelicais.
Que auxiliam os maridos a sair dos abismos,
E criam os pequenos filhos,
Com pulso forte,
E coração terno.
E me pergunto sozinho.
Qual delas se suicidará,
Às seis horas, no fim da tarde.
Às vezes, me entrego revendo,
As tristes mães zelosas.
Almoçando sozinhas naquela mesa grande,
E despedindo-se dos filhos que saíram de casa.
É tempo de rever as fotografias!
E novamente,
Me pergunto sozinho.
Qual delas se suicidará,
Ás seis horas, no fim da tarde.
Às vezes, me entrego lendo,
Gabriel Garcia Márquez,
Com seus comentários agudos.
Sobre a possível esposa feliz,
Que só fora realmente felicidade,
Quando faltava mui pouco a ser.
Mas ainda me pergunto sozinho.
Qual delas se suicidará,
Às seis horas da tarde.
(Rômulo Piloni).
domingo, março 11, 2007
Combinação da mente

Decidir para os outros,
É infinitamente fácil.
Decidir para os outros,
Não requer carga alguma,
Tanto de desespero quanto de ilusão.
Relutantemente, constrói-se um mundo à parte.
Um mundo pseudo-existencial,
Algo como pegadas na areia.
Ao mesmo tempo, se encontram, ali, naquele momento,
Alguns segundos podem não mais estar.
E que importa?
Falta nenhuma farão.
Vão e vem com a mesma facilidade com que se foram.
É como um cruel e insolúvel leque de possibilidades.
Tanto pode ser,
Como também pode não mais ser.
E que fazer?
Melhor tomar uma taça de vinho tinto e esperar a vida passar.
Algo combinado.
A vida com o vinho
E a espera com a eternidade.
(Rômulo Piloni).
sexta-feira, março 02, 2007
Ciclo básico II

Sentimento.
Satisfação.
Seria somente isso?
Seria somente assim?
Não seja severo demais.
Deveras, sempre há significados simples.
Simples seriam os sonhos e o sol e os sorrisos.
Complexos seriam a saudade e a solidão e os sofrimentos.
Deveras, sempre há significados complexos.
Sentido, um sortilégio sentimental.
Sentimento, um jamais se sentir sozinho.
Satisfação, sob os demais.
O sonho e o sol e os sorrisos, sentidos soltos.
A saudade e a solidão e os sofrimentos, sentimentos sem solução.
Satisfação, caça desesperada por sentir-se sempre assim.
Simplesmente.
Do sol fez-se o sorriso.
Do sorriso, somente um sonho.
Do sonho, surgiu à saudade.
Certamente, seguiu a solidão.
Sim, ileso não estaria o sofrimento.
Esse, secretamente sumiu.
Seguro, o sol ressurgiu.
Com ele, seguiu o sorriso.
E no coração, um ciclo surgiu.
(Rômulo Piloni).
Tal como a criação

Debruçado em mim mesmo.
Após o dia,
Mais dias!
Murmuro o vento.
Agito as águas.
Cintilo o sol.
Escureço a noite.
E num sopro de alegria,
Homens no jardim do Éden.
Tal como minha imaginação.
Tal é minha criação.
Após a noite,
Mais noites!
Acrescento sabedoria e liberdade,
E serpenteando,
O sofrimento é aclamado.
Pobres homens imaturos!
Querem ser deuses dos destinos.
Acostumem-se, agora!
Querem ser deuses das ciências.
Acostumem-se, agora!
Com o peso de minhas mãos.
E saibam reconhecer,
Na leveza do poeta,
Um tempo de remissão.
(Rômulo Piloni).
domingo, fevereiro 25, 2007
Um caminho para o mundo
Não.
Não é agora.
Não posso despedir-me deste corpo patológico.
Ainda não retirei todo o benefício.
Nada de morte!
Algo ligado ao ente descoberto pelo espírito.
Sem liberdade, eu,
Para separar o corpo d’alma.
Mui menos pensável,
A alma do espírito.
Não compreendo uma separação,
Nesta desordem romântica teatral.
As chuvas regularizam-se em outubro,
Até lá, um deserto de esperanças.
Abstendo-se do prazer para sofrer a dor.
Só ela alforria o espírito,
Dos cogumelos que recobrem a vida.
Da vida n’alma livre,
Sendo os ares da cidade livrescos.
Tocados pelo orgulho do pavão,
Grande ave estrangeira.
Enquanto os pensamentos que eu tinha,
Ainda atrás de mim, próprio do eu.
Onde começa a tragédia,
Começa também a loucura.
Uns malucos de amor,
Outros nem tanto.
Neste mundo mosqueado,
A caminho do Nirvana,
Repleto de muiraquitãs.
Não condeno o mundanismo.
Para que condenar?
Um mundo tópico-temporal transubjetivo...
Minhas elucubrações,
Pouco adiantam,
Mesmo que estejam maquiadas de um espírito febril.
Contorcendo-se diante do universo,
Não palpável,
Contudo, monacal e sublime.
Possuo e não nego,
Um atavismo duplo.
Vindo de pai e mãe,
Modernamente o descobriram em forma de escadas,
Contorcido em si próprio.
Mas o espírito...
Ah! O espírito ainda não sei.
Seria puro e cristalino,
De inconsciente índole romântica,
Resplandecente de vida.
Uma busca duradoura,
Mesmo diante de paradoxos,
Aqui nas terras profetizadas,
Uma felicidade nova...
Ainda não conhecida.
(Rômulo Piloni).
terça-feira, fevereiro 20, 2007
(In)finitude palpável

Há de ser lento e doloroso.
O Mundo gira devagar.
Meu Tempo gira devagar.
Minha Vida gira devagar.
Apresenta-se tudo vago e desesperado,
Naquilo que é de natureza corrosiva,
Num fluxo não mais perfeito.
Dois a dois, mão a mão,
Funde-se medo e gozo ingênuo.
Era tudo tão diferente.
Era tudo tão parecido.
Era tudo... aquilo, que ainda queríamos.
Sem-palavras,
O sussurro (seu) a fugir de meus ouvidos.
Corro, corro...
Sem-palavras.
Na voz, nenhum ruído,
No pensamento, turbilhões de enigmas.
Palavras, palavras...
Lutar com as palavras,
Lutar contra os sentimentos.
Penetrar aleatoriamente neste reino.
Repare:
Ermas desilusões.
Mais uma vez,
Refugiar-se nas palavras,
Ainda úmidas e impregnadas,
Mas estas palavras...
Verdadeiras
Circulam pelo subconsciente.
Há de ser amargo e desesperador.
O Mundo parou.
Meu Tempo parou.
Minha Vida parou.
Apresenta-se tudo findo e inoperante,
Naquilo que era realmente maravilhoso,
Num fluxo quase prefeito.
Dois a dois, lábio a lábio,
Funde-se medo e gozo ingênuo.
Éramos tão diferentes.
Éramos tão parecidos.
Era tudo... aquilo, que ainda queríamos.
Sem-palavras,
O perfume (seu) a fugir de minhas narinas.
Corro, corro...
Sem-palavras.
Na voz, emudecido,
No pensamento, lembranças.
Palavras, palavras...
Lutar contra as palavras,
Lutar com os pensamentos.
Penetrar surdamente neste reino.
Repare:
Ermas melancolias.
Mais uma vez,
Refugiar-se nas palavras,
Ainda úmidas e impregnadas,
Mas estas palavras...
Verdadeiras palavras
Circulam pelo coração.
Há de recomeçar.
O Mundo regrediu.
Meu Tempo regrediu.
Minha Vida regrediu.
Apresenta-se tudo exaustivo, mas esperançoso,
Naquilo que é realmente maravilhoso,
Num fluxo ainda perfeito.
Dois a dois, corpo a corpo,
Funde-se medo e gozo ingênuo.
Somos tão diferentes.
Somos tão parecidos.
É tudo... aquilo, que ainda pode-se reviver.
Sem-palavras,
O batom (seu) a fugir de minha boca.
Corro, corro...
Sem-palavras.
Na voz, pequenos sussurros,
No pensamento, saudade.
Palavras, palavras...
Lutar contra as palavras e os sentimentos.
Lutar com os sentimentos e as palavras.
Fugir desesperadamente deste reino.
Repare:
Ermas ilusões.
Mais uma vez,
Refugiar-se nas palavras,
Ainda úmidas e impregnadas,
Mas estas palavras...
Verdadeiras palavras do coração.
(Rômulo Piloni).
(Em) quanto
Ofusca meu perfume.
E a plácida garganta tua,
Os avermelhados dragões, acolhe.
Na mágica aliança,
Os unicórnios cintilantes habitam.
Tendo eles, os corações sangrando,
No respaldo sentimental.
Corro sobre a rosa-dos-ventos,
Sem saber que palavra seguir.
De um lado a outro,
Na balança da justiça,
Enforco os angelicais monstros noturnos,
Escondidos no guarda-roupa.
Aproveito ainda, este instante,
E penduro minha fantasia de coringa,
No portal dos contos de fadas.
É num barco azul-dourado,
Que caminho em órbita planetária.
E choco-me frontalmente,
Com teu coração,
Sorridente e suspenso no ar.
Enquanto, no quadro de ímãs,
Minha imagem permanece,
Amando-te, feliz e p’ra sempre.
Rômulo Piloni
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Conformidade
quarta-feira, novembro 29, 2006
Ingredientes

Improviso um poema qualquer,
Sem o pessimismo noturno que me abala,
Na universalidade de um dia seguido d’outro.
Descarregar sobre ti,
A carne dissecada de momentos sombrios,
Não causariam boas sensações.
É insubstituível,
E continua sendo.
De inúmeras e quantas substituições,
Se realizem de forma metódica.
Na aparência da perfeição,
Os elementos de teóricas garras compulsivas,
Balançam minh’alma furtivamente.
E meus pensamentos de bases alemãs,
Escorregam no gargalo da garrafa,
Equilibrando nervos abalados e coração.
Entre a ressonância elétrica e um caráter de encantos,
Rabisco minha letra.
Já as conquistas fáusticas materialistas,
Ganham progressivo espaço,
Na unidade moderna falsante.
Enquanto a sociedade aparentável,
Semeia entre os jardins de rosas,
O pessimismo particular.
Escondendo-o entre as sombras,
Das mais românticas flores cultivadas.
Este dualismo visceral,
Compõem a cloaca poética,
De um poema não esperado,
De um poeta de improvisos.
(Rômulo Piloni).
sábado, novembro 18, 2006
Coleção de desenhos

O colorido dos sonhos,
Impressos em um dicionário qualquer,
Oculta de forma singular,
O desespero do poeta.
Irromper os desejos,
Guardados há certo tempo,
Não é de muita facilidade.
Os desenhos desenhados com os punhos,
Contornados com meu sangue,
De clarividência pouco confiável,
Transportam-me para a torre da igreja.
Entretanto, quando me observo,
De forma analítica,
Deparo-me em um porão cheio de ratos.
Estes falsos amigos meus,
De desconfiança eterna,
Conduzem-me ao desespero.
Enquanto, as boas lembranças,
Daquele poeta desesperado,
Estão impressas num dicionário ilustrado.
(Rômulo Piloni).
terça-feira, novembro 14, 2006
Furto

Em meus sentidos ocultos,
Tão logo mostrou-se escuridão.
Perturbador dos sonhos e desejos,
Que transformam o coração.
Romper as estradas festejantes,
Já não há mais como.
Transpor de alegria as bases sólidas,
Já não me interessa mais!
A fonte de desejos calorosos,
Ri furtivamente d’minha cara.
Enquanto em ilusória postura,
A imagem sua, tão esperada,
Escorre diante de meus olhos.
Este causador de sofrimento orgulhoso,
Timbrado na pele quente e macia,
Marcas minhas pouco conhecidas.
Em fascinação e piedade,
Consola meus escuros cabelos.
Na tentativa de momentos felizes.
E aquele coração transformado,
Cúmplice de muitos abraços,
Requer novamente de novo,
Os tempos profanos.
De um tempo perdido em acalanto encontro.
Mesmo dizendo o que sinto,
Não adianta te amar.
Eu sei que és d’outro agora,
Mas sabes que teu coração é só meu.
Não adianta mentir!
Sob os respingos do chafariz,
Os lábios nossos tocam-se em breve sinfonia.
Sob os ruídos da cidade,
Nossos corações pulsam unidos num só.
Mas o que hoje se ouve,
É uma melancólica música incolor.
Contudo, antes que escrevam bobagens,
Está pré-escrito na sepultura:
Aqui jaz um homem que amou,
Na vida, a mulher de sua vida.
(Rômulo Piloni).
quinta-feira, novembro 09, 2006
Que será, que será?

Na arte de mandar recados
Diplomáticos ou em botequins,
O contra sistema cultural,
Em delirante complicação simplista,
Abre os braços o grande cristo redentor.
Miserável esculhambador da ordem,
Na ordem da ordem ordenada.
Na boa?!
(De simplicidade no dialogar).
Que se danem os contra-modernos,
Cínicos e arrogantes,
Preparadores de uma racionalidade planejada,
Na arte da vida dramática.
Encubando o pré-renascimento futuro.
De uma ordem avassaladora,
No maniqueísmo desafiador,
Das doutrinas alternativas.
Neste mundo prematuro-crú,
Pouco adianta divagar.
Misteriosamente entre gnomos.
É o fim da intemporalidade,
E o começo de um fim.
Um recado e um falso-abraço.
Um falso-abraço,
Em sujeito determinado.
Um recado,
No indeterminismo das escolhas.
(Rômulo Piloni).
quarta-feira, novembro 01, 2006
É posto o fim

Apalpando o vazio,
Inúmeras são as intenções.
O marcador célebre,
Inquebrável,
No centro do cosmo,
Resgata qualquer palavra.
São os cristais,
Pouco transparentes,
De colorido uniforme,
Que delatam os projetos.
Obedecendo ao imprevisto,
De longos caminhos,
Sempre há um recuo.
Estabelecido o caos,
De um moderno momento.
Sapatilhas letradas,
Confundem o aprendiz.
Embebido em si próprio,
Refere-se aos costumes,
Como singelos desencontros fraternais.
Mesmo atirando pedras nas lagoas,
O vazio continua.
Socorro-me de mim mesmo.
E acoberto-me de meus escândalos.
Nem se quer minha própria sombra,
Me acompanha nos caminhos.
O veludoso ódio plácido,
No porta-lápis escondido,
Entre sapatos, talheres e pensamentos,
Compõem sonetos líricos.
Enquanto o galo canta,
As palavras resgatadas,
Encontram-se no papel.
Tampa-se a caneta.
Fecha-se o caderno.
Agora, é o silêncio.
(Rômulo Piloni)
domingo, outubro 22, 2006
Contra-tempo

As roldanas do mundo,
Erguem com precisão.
Na faísca do fósforo,
No mármore gélido.
Aceitando o fim da estrada.
Entretempos, o tempo!
As palavras de carícias,
Comovem seus cabelos.
Nos véus metafísicos,
Compostos, nas palmas da mão.
Observo calendários complexos.
Entretempos, o tempo!
Na dor de arcos íngremes,
Condor da liberdade.
Desprende a mente do passado.
Desatando o nó no infinito.
Explosão dolorosa,
Amargo doce beijo canônico.
Ah!
Contudo, o tempo...
O tempo veloz.
Contudo, o tempo...
O tempo estático.
Era ele, nada mais!
Um cronômetro polido,
Marcador de passos.
Marcador de pensamentos.
De imagem subcolor.
Entretempos, o tempo,
Que nunca entendi.
(Rômulo Piloni).
sábado, outubro 14, 2006
Coloração insólita

Na busca incansável,
Apoiada pelo determinismo paternal,
Procuro na lentidão suave,
Palavra por palavra,
A minha identidade.
Própria de mim mesmo.
Vestindo luvas sacerdotais,
De procura incerta,
Da vida na vida em si mesma.
Sou ambos,
Pai e mãe transfigurados
Aqueles vômitos penosos,
Espasmos contínuos,
Aproximam-me cada vez mais de mim.
E eu sem nem saber,
A cada passo sem destino,
Distancio-me do meu eu.
Até quando.
Quanta verdade um espírito pode suportar?
Não a maquiada de pseudoverdades.
Calcada pela impressão digital.
É da violenta calmaria,
Que surgem palavras tempestuosas,
Falsificando o mundo ideal.
Os genes promovidos pelas ciências,
Com olhar preocupado,
Afagam a minha pele.
E cruzando divisões equacionais,
Multiplicam-se na transformação.
Mas multiplica também,
Ainda mais meu desespero.
As hélices espiraladas,
E mitocôndrias maternais,
Integram meu corpo físico.
Mas meus pensamentos,
Únicos e de impossível clonagem,
Ainda não os encontrei.
Estou certo,
Mesmo que em tempo indeterminado,
Eu me contarei a minha identidade.
(Rômulo Piloni).
domingo, setembro 24, 2006
O despertar acordado

Nas reconhecidas memórias,
Sobre o amarelo tapete no banheiro,
Sigo os pensamentos fluidos.
Quase, sempre, sepulcral.
No brinde da lua,
E no belo adeus ao sol.
Naquele plano horizonte,
É de todo cor.
Adiante, a noite se arrasta.
A porta, querem que eu feche.
A meia luz,
Na sombra do cruzeiro, descanso,
Sob brisa olfativa.
No épico coro passam os pássaros.
É no começo da dúvida,
O fim da certeza.
Meu começo acabou no fim,
E o fim nem começou.
De inúmeros diminutivos,
Nos pêndulos de minha vida,
Corro riscos.
É preciso um ponto de apoio,
Na terra vermelha suave,
Somada ao prodigioso pensamento.
Aos poucos descubro o tudo.
E tudo que achava se torna em nada.
A gota pingante inválida,
Na magia de cada dia.
Desperto-me dos sonhos malucos e reconfortantes,
Com o soar da campainha.
(Rômulo Piloni).
Insustentável atividade amorosa

Uma provisória carta de amor,
Escrita com tinta pau-brasil,
Impregnada de valores abstratos,
Sobre a nebulosa poeira do pó das asas.
Peliculosa e paciente no futuro.
Refletora e idiota no presente.
Intelectual e artística no passado.
Coexistindo de uma raiz profunda,
Coincidente na origem e no original.
Tentado se tornar o primeiro,
Na ingênua aspiração da pureza.
Acima da tolerância dos tolerantes.
Põe-se a alma a palpitar,
Com imagens febris e serviços urbanos ligeiros.
Mesmo sendo muito, é pouco.
Inocência de Inocência.
Byron e Garret,
Mostram-se transfigurados,
No reflexo da garrafa tinto.
Além das profundas cores e dos milhares de filhos de Gandhi.
Neste lerdo escoar de significados,
Perante o fluxo e refluxo de palavras,
Contrastante com o ser,
Contrastante com estar.
Meias são atributos femininos,
Portanto, morte aos generais.
Estes guindastes vastos, grandes e maduros.
Sem danças venturosas, sem o balançar de redes.
Desgraçada não é a folha da parreira,
Nem, também, o pilar da ponte.
É desgraçado o homem sentimental,
Neste mundo macho-moderno.
(Rômulo Piloni).
domingo, agosto 20, 2006
Não há como ficar
sábado, agosto 19, 2006
A caixinha Glabs-glabs

Eu quero uma caixinha Glabs-glabs.
Eu quero (!)
Eu quero só p’ra mim...
Uma linda caixinha Glabs-glabs.
Com projetos urbanos futuristas,
Palavras acústicas,
Pessoas modernas,
Um copo de vinho.
Nas pequenas paredes transparentes,
Encobrindo suas cores verde-amarela,
E sua forma triangular-esférica.
De tamanho descomunal,
De utilidade desejosa.
Eu quero...
Eu quero a minha caixinha Glabs-glabs.
Com travesseiros de ganso,
Multiformas do Cerrado,
Um suspensório vermelho,
Livros bons de ler,
Amigos, grandes amigos.
Itinerários de grandes viagens.
E o mais importante:
Uma mulher.
Um coração.
Terei tudo.
Terei tudo meu.
Mas até hoje,
(Digo até o momento.)
P’ra mim, ela nunca se materializou.
Nem em forma,
Nem em cor,
Nem em meus desejos.
Nunca tive uma caixinha Glabs-glabs.
(Rômulo Piloni).
quarta-feira, agosto 16, 2006
Vida – Vaso
Vida – Vontade
Vida – Valores
A liberdade na caixa de fósforos

“Fiat Lux” – Disse Deus, no momento em que dominou as trevas com o auxílio das luzes. Na eliminação do caos e conseqüente gêneses da Madre Gaia, gerou-se Urano e Pontós, sendo Eros o princípio coeso do universo. Unindo trevas, luz e o Deus Cronos, impôs o limite e a liberdade em todo o universo.
Aos homens, a desliberdade ainda estava por vir.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Liberdade é a superação do determinismo do universo; e esta tal de superação não se encaixa no determinismo de pseudo-liberdade? Seguimos o fluxo das moléculas numa caixa de fósforos.
Desliberdade – caminha ininterruptamente a passos largos, seguindo o fluxo das moléculas impostos na coesão do universo;
(Rômulo Piloni).
domingo, agosto 06, 2006
Os vermelhos girassóis

Não era amarela.
Nem era também, branca.
Não chegava a ser transparente.
Percebi que não se tratavam de girassóis.
Eram gérberas.
Eram gérberas vermelhas.
De longos caules.
Com pétalas paulatinamente colocadas.
Encaixadas por milagre.
Divinamente divinas.
Observando analiticamente,
Percebi um rosto puro.
Um rosto perfeito.
Um perfeito rosto!
Que se deixou olhar.
Que se deixou apaixonar.
Que se deixou amar.
E eu...
Que me deixei olhar.
Que me deixei apaixonar.
Que me deixei amar.
Palpitavam emoções,
Mas mesmo assim,
Não posso declarar-me.
Os homens me impedem.
(Rômulo Piloni).
Publicado em Intervalo Curta Poesia - Ano II-n° 8 - Jul 2006 - pág. 7
sábado, agosto 05, 2006
Esboço de itinerários

Nos traços límpidos,
E também livres,
Segue o projeto ininterrupto.
O subconsciente,
De forma prática,
Imprime no papel esboçado,
Rabiscos d’um pensamento moderno.
Longe… muito longe,
Além dos campos da campina,
A corruptela do vocábulo Guanabara,
De sentido-significado pluviométrico,
Deu lugar às idéias,
A expressão sublime dos barões.
Pulverizando transformações e realidade.
O cata-café do passado,
O microsoft do futuro,
Contam a história do cotidiano.
E a linha férrea continua.
Nos dormentes modernos,
Próprios da Estação Guanabara,
Novos projetos futuristas surgirão.
Naquele perfil esbelto e marcante,
Entre inúmeros pés-de-café,
A gloriosa Princesa d’Oeste,
Marca o tempo arrogante.
Ligando ferrovias,
Construindo o futuro.
Com traços límpidos e livres,
No papel,
Na história,
Na Campina,
Na Estrada de Ferro Mogiana,
Projetos seguem ininterruptos.
(Rômulo Piloni).
quarta-feira, junho 28, 2006
Mutação atrelada ao indolor

Abrem-se as cortinas.
A pseudovida está começando.
Sob o firmamento,
Surge a boa nova nas asas do urubu.
Que tão logo se retirou.
Não quis. Não ficou p’ra ver sua verdade.
A boa nova do radioisótopo.
Não um qualquer,
Mas o 137.
Tanto nas Pradarias Ucranianas,
Quanto no Planalto Central.
Transformou o homem em pó.
Pessoas mutantes,
Problemas congênitos,
Câncer, caos...
Das crianças ao cachorro,
Do cachorro ao vegetal.
Primeiro o energético ucraniano.
Tempos.
Algum tempo.
Tempo pouco passado,
O raio-X neovilaboense.
Barreiras, grandes barreiras.
Isolamento do humano para o humano.
Tendo apenas o preconceito de companhia.
Se não bastasse...
Histórias marcas.
Terras marcadas.
Marcadas as pessoas por gerações.
Não adiantou chorar,
Tampouco adiantou sofrer.
Algo atrelado ao inimaginável indolor.
O bebê nasceu sem cérebro.
A vovó perdeu as pernas.
O cachorro nem nasceu.
O litle boy contemporâneo.
Anos e mais anos.
Vinte e poucos.
Fecham-se as cortinas.
O urubu foi sepultado,
E as pessoas marcadas pela radiação.
(Rômulo Piloni).
Janelas amarelas

Não importa a maturidade do ser.
Debruçadas, as janelas espiam,
De onde menos se espera.
Contornam o contorno mundano,
Partem e chegam a todo instante,
No movimento contínuo do cotidiano.
Sobre os jardins de amores,
Daquele império decadente,
Confissões e amores e conspirações.
Os propósitos submersos de melancolia,
Inundam as exaustivas tentativas.
Nas ruas enjaneladas,
De calçamento irregular.
As cores vivas da alegria,
Permeiam um passado circular,
Daquelas inúmeras visões inesperadas,
De paredes antigas e amplas janelas amarelas.
Enquanto a orquídea agarra-se ao tronco,
As janelas tagarelam a vida alheia.
No mal cheiroso cochicho,
Dos líquidos mortíferos impelidos,
Pelo músculo dilacerador.
Esta vida pouco vivida,
De muitos comentários,
As janelas fazem parte.
E vinculam claramente a falsa versão.
Iniciam-se no fragmento do dia,
E adormecem na escuridão do por-do-sol.
As janelas pecadoras,
De brilho pouco intenso,
Continuam a tagarelar.
Enquanto a vida é vivida.
(Rômulo Piloni).
Minha carta suicida

Apalpando as palavras,
Há muito desejadas,
Encontro em minha carta suicida,
A despedida para o mundo.
Um mundo passado,
Que se desfez.
Despeço-me aliviado (!)
Saio da vida,
Para entrar na vida.
Do mundo moderno, higiênico e capaz.
E apago as imagens grisalhas,
De significados desfalecidos.
Espalhando nas ruas,
A certeza de que novas palavras surgirão,
Assim como uma nova carta suicida, também.
(Rômulo Piloni).
terça-feira, junho 27, 2006
Desabafo do amanhecer

Debruçado em meus versos,
Tenho apenas meus pensamentos.
E a impossibilidade de apresentá-los,
De uma melhor forma.
Mudo-me de lugar variadas vezes.
E repito.
E novamente de novo... e mais uma vez.
Costuro as recordações,
Nas promessas de um futuro fantástico.
Irrompendo as fronteiras possíveis,
Encontradas no amanhecer ainda não amanhecido.
Nos acordes de minha vida,
Faço poesias incompletas.
Tentando completar o sentimento,
Incompleto à minha versão.
Os habitantes dos subúrbios,
Acostumados ao necessário,
De cabeça baixa e corpo altivo,
Seguem o caminho destinado.
Enquanto no possível amanhecer,
De tantos outros amanhecer,
Eu sigo meu caminho.
De crenças diversas,
Postuladas no centro do ser.
Aqueles anos vividos,
Escorrem pelas sarjetas imundas.
De cidades imundas.
De pessoas imundas.
O orgulho do João,
Sucumbiu aos suspiros longos e frios.
Da mulher de vestido marrom e lenço na cabeça.
Tendo a tira-colo,
O peso eterno do mundo.
De falsa compaixão.
Consolando e sendo consolado,
Tudo segue firme!
Adormeço para não mais acordar.
(pelo menos agora,
neste momento,
é a minha vontade)
E só acordar,
De maneira magnífica,
Quando o mundo virar mundo.
Então, que vire mundo!
Mas continuo acordado,
Tardes e mais tardes,
Luas e mais luas,
Agora ainda é dia?
A noite escorre diante de meus olhos.
Exigindo cada vez mais de mim,
E eu acovardo-me...
Escondo-me atrás de grandes fortalezas.
Tenho medo.
Muito medo.
Medo da claridade que poderei estar,
Com meus poemas sob o braço.
Expostos a quem quiser...
De maneira rápida e marcha contínua.
Elaborando circunstancias próprias,
De sorrisos sorridentes.
De sorrisos amarelos.
De preocupantes sorrisos.
Únicos e precários,
Galopeiam na escuridão do subconsciente.
Mas tudo se transformará.
O ridículo será célebre.
E o célebre, tradicional.
Montando banca em repartições arcaicas,
De totalidade infecunda,
E intelecto apodrecido.
Atrás da vidraça blindada,
Lambuzada de elogios,
Não mais continuará a voz trancafiada,
Daquele poema sem voz,
Por não ter sido ouvido.
Enquanto isso não ocorre,
Antes que novamente eu mude de lugar,
Os soldados se espalham,
Próximos as sarjetas imundas.
Em cidades imundas.
De pessoas imundas.
Tentando combater a indiferença,
E proclamar o cântico verdadeiro.
Estes soldados bárbaros,
Símbolo de um passado repressor,
Comandam a liberdade,
Do poema,
Da consciência,
Do homem.
Antes que o dia amanheça.
(Rômulo Piloni).
domingo, junho 25, 2006
Niets para sempre

Quando a madrugada entrou, eu olhei o teu olhar.
Estavas ali, deitada e tua boca linda e teus olhos ardentes,
E a angustia da partida, morava já nos teus olhos.
Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino.
Teus olhos me diziam e tua boca me dizia e teu corpo me dizia...
Quis afastar-me por um segundo de ti em vão.
Olho no olho e quase boca na boca.
Quis beijar-te num vago relance, mas não podia...
Mas quando meus lábios tocaram teus lábios,
Madrugada adentro e o tempo nem se quer ousava passar.
Eu compreendi ali, que serias minha.
Poderia demorar anos e tudo parecer dar errado, mas serias minha.
Eu compreendi, que não era preciso fugir e perder aquele instante.
Não há como eu fugir e não há como eu perder.
As estrelas e as flores e o espelho afirmam,
Que tua ausência não será eterna,
Que realmente, teu coração será meu coração.
(Rômulo Piloni).
Teoria da verdade

Espírito perturbado,
Rosto emoldurado,
Barba por fazer,
Unhas mal cortadas...
Nasce a necessidade.
Incessante voz oculta,
Calada a todo custo.
Imperatriz reinante,
Na utópica realidade.
São 100 anos.
Vividos ou não,
Passaram-se.
Ligando ferrovias,
Construindo mosteiros,
Indivíduos formando.
Ternura de um passado,
Numa terra enigmática.
Vejo um catálogo de pessoas,
Sob a terra chã multiformal.
De variadas estirpes...
Pretos e brancos e amarelos.
Não registro a beleza,
E sim a podridão.
O belo só é belo,
Pois existe o feio.
E a podridão nem se comenta.
Glorificar, muitos já fazem,
O passado desbravador.
Mas a realidade,
Pungente e dilaceradora,
Deixa-se ao acaso.
Olho no espelho,
De tristes e nebulosas imagens.
Um rosto perturbado, eu vejo.
Barba por fazer,
Unhas mal cortadas.
Uma verdade virtual,
Contudo, mui real.
As rimas já não me importam mais.
Algo um tanto banal.
Próprio mesmo do ser.
E ainda assim,
Em terras centrais,
De um tempo esperado diferente,
A raiz enaltecida,
No amor e no ódio.
Mas não há como,
De forma contrária,
Deixar de glorificar,
A minha terra amada,
A sempre polis de Ana.
(Rômulo Piloni).
quinta-feira, junho 22, 2006
O enorme mundo dentro de si

“Mundo mundo,
Vasto mundo”.
Um mundo de vidro.
Um mundo de homens.
Complexo como as ligações de silício.
Simples como um copo de vinho...
Simples como suas vidas.
Com suas vidas bestas.
Com seu íntimo interior petrificado.
Até banal (!)
Sem pulso,
Sem vida,
Sem dor...
Homem-estátua,
Homem RaiMunndo.
(Rômulo Piloni).
segunda-feira, junho 19, 2006
Comparações à parte

Compararam-me com meu pai,
Por ser bastante semelhante.
Já me compararam com minha mãe,
Por ter os mesmos hábitos, também.
Já me compararam aos caracóis,
Por morar na imensidão do mundo.
Já me compararam aos palhaços,
Por sorrir e ao mesmo tempo chorar.
Já me compararam a noite,
Por ter alguns poucos mistérios.
Já me compararam aos jornais,
Por, às vezes, a verdade, eu falar.
Já me compararam aos poetas,
Por, somente, escrever tolas palavras.
Já me compararam ao beija-flor,
Por gostar, simplesmente, de ser livre.
Já me compararam com pessoas,
Por ser parecido, talvez.
Já me compararam ao cupido,
Por ter unido alguns bons amigos.
Já me compararam aos malucos,
Apenas por amar.
Nunca me perceberam realmente como sou.
(Rômulo Piloni).
Uva na terra da uva
Carros pelas ruas,
Pedestres pelas ruas,
Árvores a farfalhar os galhos.
Um lufa-lufa de movimentos.
Novamente naquele local,
O pequeno local de Palas.
Oficina de pseudo-intelectuais,
Logo terão a primazia do espírito.
Um dia como um ou outro.
O olhar transformador.
Cumprimentos encabulados.
Cumprimentos simpáticos.
Notoriamente há mais.
Sempre há mais!
Conversas iniciadas e interrompidas.
Conversas interrompidas e reiniciadas.
Átimo de sabedoria.
Olhares mais que perdidos.
Perplexos em busca de súplicas ardentes do coração.
Entendimentos prontamente entendidos.
Entremeados por cochichos avermelhados.
Escoltados por dizeres luminescentes.
Desespero. Continua o contínuo ázigo.
De repente: numa mesa de bar.
Esperado, não era.
Simplesmente não!
Ausência de algo ausente.
Incompleto pairado no ar.
Talvez uma antiga lembrança.
Que em tempos poderia voltar.
Mas com desejo de não partir,
Uma breve despedida tímida.
Retornando à casa de Palas.
Angustia e desespero.
Desilusão e carência.
Tudo misturado no liquidificador.
Momentos conturbados.
O dia não era mais um ou outro.
Era aquele dia!
Do repentino convite feito,
Um mais que depressa convite aceito.
Portas de currus e serem cerradas.
E uma rápida busca pelo material pessoal.
Pronto: tudo pronto (!)
Viadutos e estradas e carros.
Átimo de liberdade-livre.
Música francesa.
Conversas mui adoradas.
Olhares perguntativos.
Desejo osculativo.
Interrogações flutuantes.
Carros e mais carros.
Curvas e mais curvas.
Destino: a grande cidade.
Cidade do vinho,
Abençoada por Dionísio.
Uma breve parada...
Não mais breve.
Sob melodiosos sons a fundo.
Pedestres pelas ruas.
Carros pelas ruas.
Árvores a farfalhar os galhos.
Partida e chegada.
O crepúsculo de acompanhante.
Seguindo a fortaleza da árvore-da-vida.
Empurrando o pequeno carro-de-mão.
Escolhas a serem escolhidas.
Um vinho tinto a completar.
O dinheiro move o homem.
O homem move o dinheiro
O mundo move tudo.
Portas de carros cerradas.
Passeios e conversas e olhares.
Músicas e contatos e esperança.
Decidir ou escolher?
Escolha você.
Não, escolha você.
Que decidir?
Que escolher?
Átimo pouco comum.
Um dia como nenhum outro.
Arruou-se, ainda, variado tempo.
Arruou-se variados locais.
Conversas e cozinha e velas.
Música clássica p’ra acalmar.
Vinho tinto em taça.
Com aprovação de Dionísio.
Ambiente escuro para acompanhar.
Artes cênicas.
Jogos de palavras.
Conversas e explicações.
Autoconhecimento.
Duplo conhecimento.
Um cruzar de olhares.
Tarde de mais!
Filme e olhares e pele macia.
Que pele!
Desejo máximo de oscular.
Madeixas de sol, com cheiro rosáceo.
Com gosto rosáceo.
Pétalas pelo pensamento.
Um transpassar de braços.
Olho no olho.
Nem se quer lábio no lábio.
Mãos dispostas a enfrentar o mundo.
Coração bombástico.
Perplexo e parado,
Diante da solidão.
Tendo somente o desejo por companhia.
Repentino, sobretudo passageiro.
Gotas gotejantes d’água...
Pelos contornos nus.
Os seios, magicamente rijos.
A boca, lindamente entreaberta.
Num espaço comprimido.
Formou-se um ser autógeno.
Mão a mão.
Enfim: um breve e mágico tocar de lábios.
Lábios estes, de rosas vermelhas.
Cabelos de sol.
Contornos divinamente esculpidos.
Auréolas púrpuras,
Angelicalmente dispostas em par.
Perplexo, repetida vez...
De conselheira, somente as gotas d’água.
Dantes, doiradas.
Novamente: filmes e bocas e labaredas de fogo.
Límpido e nu...
O (meu) sol a brilhar,
Num céu de estrelas.
Por toda à parte.
Em todos os lugares.
Estrelas argíricas,
Lençóis de seda,
Travesseiros de ganso,
O céu enegrecido,
Tendo o luar como espectador.
Menina-Mulher angelita.
Os olhares próximos,
Com olhos de beleza marinha.
Num momento de intensa atença.
Leves toques de mãos.
Pêlos ouriçados.
Ósculos delirantes...
Belos pés rosáceos.
A mágica magia.
O átimo atilar de mestria.
Num ato castiço.
Yung e Yang...
Magníficos seis ondulantes
Numa natural interpelação.
Adjeção de corpos.
Ato complexo.
No encobrir do espécime.
Num ir e vir,
Num ir e voltar.
Cercado pelo breve ocular do corpo.
Num fecundo átino.
Alegremente abençoado por deuses próprios.
Afrodite ergueu-se.
Dionísio consentiu.
Enquanto:
Árvores a farfalhar os galhos.
Carros, poucos, pelas ruas.
Pedestres, poucos, pelas ruas.
Maravilhas sob as estrelas.
Um dia não esquecido,
Às retinas,
Aos pensamentos,
Ao coração.
(Rômulo Piloni).
sexta-feira, junho 16, 2006
Uva en la tierra de la uva

Aquel día como uno u otro.
Coches por las calles,
Peatones por las calles,
Árboles columpiando ramas
Un vaivén de movimientos.
Nuevamente en aquel local
El pequeño local de Palas.
Taller de pseudo intelectuales,
Que tendrán la primacía del espíritu.
Un día como uno u otro.
La mirada transformadora.
Cumplimientos ruborizados.
Cumplimientos simpáticos.
Notoriamente hay más.
¡Siempre hay más!
Charlas introducidas e interrumpidas.
Charlas interrumpidas y reiniciadas
Instante de sabiduría.
Miradas más que perdidas.
Perplejas en busca,
De las súplicas ardientes del corazón.
Entendimientos que serán entendidos,
Entremeseados por cuchicheos bermejecidos,
Escoltados por diceres luminescentes.
Desespero.
Continúa el continuo célibe.
De repente: en una mesa de bar.
Esperado, no era.
¡Simplemente no!
Ausencia de algo ausente.
Incompleto pairado en el aire.
Quizás un antiguo recuerdo
Que en tiempos podría volver.
Pero con deseo de no partir,
Un breve adiós tímido.
Volviendo a la vivienda de Palas.
Angustia y desespero.
Desilusión y carencia.
Todo mezclado en la batidora.
Momentos conturbados.
El día no era más uno u otro.
¡Era aquel día!
De la repentina invitación hecha,
Una más que deprisa aceptación.
Puertas de los coches que serán cerradas.
Y una rápida busca por el material personal.
Listo: ¡todo listo!
Viaductos y autopistas y coches.
Instante de libertad libre
Música francesa.
Charlas muy adoradas.
Miradas preguntativas.
Deseo osculativo.
Interrogaciones fluctuantes.
Coches y más coches.
Curvas y más curvas.
Destino: la gran ciudad.
Ciudad del vino,
Bendecida por Dionisio
Una breve parada (…)
No más breve.
Bajo melodiosos sonidos al fondo.
Peatones por las calles.
Coches por las calles.
Árboles columpiando las ramas.
Partida y llegada.
El crepúsculo de acompañante.
Siguiendo la fortaleza del árbol de la vida,
Empujando el pequeño coche de mano,
Opciones que serán escogidas
El dinero mueve al hombre.
El hombre mueve al dinero.
El mundo mueve todo.
Puertas de coches que serán cerradas.
Paseo y charlas y miradas.
Músicas y contacto y esperanza.
¿Decidir o escoger?
Escoge tú.
No, escoge tú.
¿Qué decidir?
¿Qué escoger?
Es un instante poco común.
Un día como ningún otro.
Se fue por la calle, aún, variado tiempo.
Se fue por la calle varios locales.
Charlas y cocina y velas.
Música clásica para calmar.
Vino tinto en copa.
Con aprobación de Dionisio.
Ambiente oscuro para acompañar.
Artes escénicas.
Juegos de palabras.
Charlas y explicaciones.
Auto conocimiento.
Doble conocimiento
Un cruzar de miradas.
¡Tarde demás!
Película y miradas y piel blanda.
¡Qué piel!
Deseo máximo de oscular.
Madejas de sol, con exhalación rosácea.
Con gusto rosáceo.
Pétalos por el pensamiento.
Un traspasar de brazos.
Ojo en el ojo.
Ni siquiera labio en el labio.
Corazón bombástico.
Perplejo y parado.
Enfrente de la soledad.
Teniendo solamente el deseo por compañía.
Repentino, sobretodo transitorio
Gota goteante de agua (…)
Por los contornos desnudos.
Los senos mágicamente rijos.
La boca lindamente entre abierta.
En uno espacio comprimido.
Se formó un ser autógeno.
Mano a mano.
En fin: un breve y mágico tocar de labios.
Labios estos, de rosas rojas.
Cabellos de sol,
Contornos divinamente esculpidos,
Auréolas púrpuras,
Angélicamente dispuesto en par.
Perplejo, repetidas vez (…)
De consejera, solamente las gotas de agua.
Antes, doradas.
Nuevamente: películas y bocas y llamas de fuego.
Límpido y desnudo (…)
El sol (mío) a brillar,
En un cielo de estrellas.
Por toda parte.
En todos los lugares.
Estrellas argíricas,
Sábanas de seda,
Almohadas de ganso,
El cielo ennegrecido,
Teniendo el lunar como espectador.
Niña- mujer angelical
Las miradas próximas,
Con ojos de belleza marina.
En un momento de intensa expectativa.
Leves toques de manos.
Pelos erizados.
Ósculos delirantes (…)
Bellos pies rosáceos.
La mágica magia.
El instante perfecto de maestría
En un acto castizo.
Yin y Yang (…)
Magníficos senos ondulantes,
En una natural interpelación.
Adhesión de cuerpos.
Acto complejo,
En el encubrir del espécimen.
En un ir y venir.
En un ir y volver.
Cercado por el breve ocultar del cuerpo.
En un fecundo instante.
Alegremente bendecido por dioses propios.
Afrodita erguidse.
Dionisio consentid.
Mientras:
Árboles columpiando ramas.
Coches, pocos, por las calles.
Peatones, pocos, por las calles.
Maravillas bajo las estrellas.
Un día no olvidado.
Una noche no olvidada.
A las retinas,
A los pensamientos,
Al corazón.
(Rômulo Piloni)
Agradecimento a duas amigas: Marília e Rosana
quinta-feira, junho 15, 2006
28 flores

Acordada, sois, mais bela.
É tempo de extrema precisão.
Nos vos direi meus sentimentos,
Tampouco, vos contarei a verdade.
Algo monótono, talvez,
Algo monótono...
No fim dos dias, cairá por terra,
Sem remissão.
Espere as cartas,
Hão de chegar.
Espere as flores,
Hão de chegar.
Tampouco, vos contarei a verdade.
Descubras por si só.
O sentimento do novo pelo velho.
Após 28 flores saberás.
A noite,
Uma neblina.
Sabes, que, dormindo, os problemas te dispensam.
É terrível despertar para a existência.
Acostuma-te com o acostumável,
Habitua-te com o habituável.
Caminhe,
Não adie a felicidade.
Abras os olhos,
Não ignore certas coisas.
Renascerão, cidades submersas.
Ridículo e frágil é meu coração.
Escute os anjos e caminhe.
Não adie a felicidade pr’outro século.
Só agora, descubro,
Trouxera a notícia do meu coração.
Confissões patéticas?
Então meu coração pode crescer.
Teu coração pode crescer.
Nunca escutei voz de gente.
Meu coração é pequeno,
A rua é enorme,
Tu sabes como o mundo é grande.
No coração, cabe tudo.
Se tento comunicar-me,
Era antes confidência.
Agora, que tu já sabes,
Meço o tempo perdido.
Tenho tanta palavra meiga.
Pequeno é meu coração.
Entre fogo e amor,
A vida continua.
E agora? Cartas já se passaram...
Passaram-se 28 flores.
Algo monótono!
Despertei para a existência,
Somente agora descobriu...
Seu coração pode crescer!
Nunca escute a voz de gente.
Escute o coração ... assim como eu.
(Rômulo Piloni).
O cerco do Cerrado central

Benigna Madre de Cora.
Mãe zelosa de Veiga Vale.
A terra chã das cavalhadas,
Defendida por cristãos e mouros.
Da tribo Goya,
Ao moderno e planejado traçado da capital.
Mistura-misturada de todos os complexos.
Num gosto de liberdade em suas palmeiras.
No infinito pouco comum.
Um incrível divisor de águas límpidas,
Co’as árvores retorcidas,
E os campos descampados.
O Cerrado do Planalto Central,
Com suas formas estranhas,
Aspectos místicos,
Fronteiras invisíveis.
Controladas pela mãe-terra.
Em seus períodos secos e longos.
Nas cachoeiras e cristais e lobos-guará,
Nos buritis e emas e lobeiras.
O excesso de aluminiun,
Pouco importa!
Nas esquecidas terras centrais,
No coração pulsante do país.
Arquitetado esplendorosamente,
No alvorada destas planas terras.
Com o equilíbrio do mestre-rei
Onde o Araguaia e o Jalapão e os Pirineus,
Reinam, majestosamente junto co’a Serra Doirada.
Tentando sobreviver às pioneiras frentes.
De um passado de ouro,
Um presente de agronegócios,
E um futuro incerto.
O Cerrado do Planalto Central,
Terra da Nação Brasileira.
(Rômulo Piloni).




